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Top +

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1 Top + em Ter Dez 04, 2012 5:27 pm

climatico

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Nível 2
Depois de mais de duas décadas de programas, a RTP decidiu não renovar o “Top +” para 2013.
As últimas emissões do programa de música apresentado por Isabel Figueira e Francisco Mendes vão para o ar nos próximos sábados.
O secretário-geral da Associação Fonográfica Portuguesa confirma ao Correio da Manhã a decisão de Hugo Andrade e não percebe a medida pois considera o “Top +” um «programa campeão em share de audiências nesse horário e que resistiu a todas as contraprogramações possíveis e imaginárias».
Sem RTP, os responsáveis pelo programa já se encontram a negociar com outros canais de televisão.
O “Top +” era um dos programas mais antigos da televisão portuguesa e por lá passaram alguns nomes como Catarina Furtado, José Carlos Malato, Maria João Simões, Pedro Ribeiro, Ana Lamy, Helena Coelho, João Vaz, Liliana Santos e Rita Seguro.




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2 Re: Top + em Ter Dez 04, 2012 8:32 pm

Pipoca5

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Nível 2
Sinceramente contra o programa não tenho nada mas a Isabel Figueira e o Francisco Mendes a apresentar... Enfim, até perdia a vontade de ver...

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3 Re: Top + em Ter Dez 04, 2012 9:42 pm

calcifer

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Nível 2
Acho piada ao senhor lá da agência fonográfica dizer que não percebe como é que a RTP acaba com um programa de share brutal e que sempre soube liderar mesmo com as privadas a mandarem-lhe com tudo para cima. Laughing

Quanto ao programa... tudo tem um fim. Este formato já vem desde os tempos do Nuno Santos na RTP (como diretor de programas). Para mudar custaria dinheiro e teria de haver investimento. Sendo assim, acaba-se.

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4 Re: Top + em Sex Fev 08, 2013 6:56 pm

climatico

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Nível 2
Francisco Mendes: "Vesti mais vezes a camisola da RTP do que a RTP vestiu a minha"

Cansado da indefinição à volta do seu futuro, o apresentador assume a sua saída da estação pública... pelo próprio pé. Triste com a "falta de frontalidade" da direção de Programas, vai continuar a lutar pela sua paixão: fazer televisão.

Com o final do programa Top + da RTP ficou sem trabalho em televisão, depois de quase dez anos a colaborar com a RTP. A palavra "desemprego" faz-lhe confusão?
Sim, assusta-me perceber que chegou ao fim um ciclo que eu pensava que podia ser maior. Mas estou preparado, fui-me preparando para todo o tipo de eventualidades. Faz-me confusão estar neste momento sem trabalho em televisão, é uma prioridade minha em termos profissionais e perceber que chegou ao fim uma relação de trabalho de quase dez anos e que estou desempregado assusta-me.

Já previa este desfecho?
Não, não estava à espera. Principalmente depois de no ano passado ter feito 30 programas do Verão Total - fiz oito mil quilómetros - em que a RTP me disse que era a minha vez de provar que era possível, e os números falam por si, e a minha prestação também, dentro e fora da RTP. É importante dizer que eu vesti a camisola da RTP, às vezes em condições que não eram tão boas como as que as pessoas pensam. Muitas vezes fui a jogo em condições de remuneração não tão boas como as que devia ter, mas fui porque acreditei que era possível vestir a camisola. Acho que vesti mais vezes a camisola da RTP do que a RTP vestiu a minha. Por isso, respondendo à sua pergunta, não estava à espera deste desfecho, estava à espera, sim, do fim do Top + e que tivessem alguma coisa para mim depois deste esforço que fiz. Foi assim tudo um bocado... abrupto.

Chegou a defender, numa entrevista precisamente à Notícias TV, que o Top + devia ser remodelado... Ficou triste por ver o programa acabar definitivamente?
Continuo a defender que é fundamental numa estação pública de televisão haver um espaço para divulgar os projetos musicais portugueses, o que neste momento não há. Os programas que vemos, nas manhãs e nas tardes, não são para falar de projetos musicais. Por isso, fiquei triste, sim.

Daquilo que disse antes depreendo que, pelos anos de "casa" que leva na RTP, esperava ficar ligado à estação para assumir novos desafios. Mesmo no contexto atual?
Sim. Sei que há uma austeridade, uma contenção, todo esse contexto, mas tal como a direção de Programas negociou comigo as 30 emissões de Verão Total a um preço por programa muito abaixo da média e eu aceitei, acho que no mínimo deviam ter falado comigo e dizer-me o que é que tinham para mim, nem que fosse o abandono. O que me chateia não é ter saído da RTP, é ter sido eu a tomar essa decisão. Tenho de fazer a minha vida e como não falaram comigo depreendo que a RTP não quer trabalhar mais comigo.

Quando e como é que percebeu que não contavam mais consigo?
Ainda não percebi... Sei que o Top + acabou, isso foi-me comunicado numa conversa franca. Foi-me também comunicado que os tempos iam ser difíceis mas que esperavam ainda falar comigo para perceber o que se poderia fazer. Mas como não me disseram nada em concreto, tenho de ser eu a dizer. E o que quero dizer é que estou disponível para trabalhar. Vesti a camisola da RTP durante dez anos, da melhor maneira, tive e tenho um orgulho enorme. Quero continuar a trabalhar em televisão e, se me ligassem hoje da RTP, não olhava para trás, ia logo. Se fiz tanto esforço e me dediquei tanto, acho que deviam ter, no mínimo, a decência de me dizer: ou que não, ou se quero ir trabalhar por x ou por y. Nunca me deram hipótese de eu perceber o que havia. Devia haver qualquer coisa para mim, quanto mais não fosse por estes dez anos.
Tentou falar com o diretor de Programas, Hugo Andrade, sobre a sua situação?
Sim. O Hugo teve uma reunião comigo em dezembro, em que me disse que o Top + ia acabar, mas que estava tudo em aberto, dizendo-me que obviamente ia ser um tempo difícil. Fiquei à espera que me dissessem qualquer coisa, não me disseram nada, continuei a tentar pressionar o Hugo para saber da minha vida. Eu tinha um programa na gaveta dele, que à partida poderia andar para a frente, que ele acabou por me dizer que não o queria. Mas também não me disse que não me queria e portanto, no fundo, o que sinto é que o que está errado é a maneira como as direções de Programas, independentemente de ser quem seja a liderar, se descartam das pessoas. Acho que não se deve fazer isso com uma pessoa. Ao fim de nove ou dez anos de trabalho, têm de guardar uns minutos para cada um dos apresentadores, sentarem-se e dizerem na cara deles o que têm a dizer.

Sente que foi descartado pela direção de Programas da RTP?
Neste momento sinto que, mais do que descartado, fui ignorado. Isso é que me chateia, não me terem dito nem que sim nem que não. Acho que isso está mal. A direção de Programas não foi frontal e acho que devia ter sido, sentar-se à mesa comigo e com os outros elementos do programa e dizer: "Meus amigos, não temos dinheiro para vos pagar, desculpem, temos outros projetos, mas gostámos muito do vosso trabalho." Acho que essa frontalidade é que faltou à direção de Programas em relação a vários trabalhadores.
Alguns colegas seus da estação também ficaram sem trabalho com as mudanças na grelha e, é público, alguns souberam disso pela imprensa...
Lá está, a falta de frontalidade. Sei que eles, na direção de Programas, têm imensas coisas para fazer, reuniões com a administração, são pressionados... mas nós também fazemos parte da casa, do puzzle. Graças a Deus não soube pela imprensa porque não me disseram nada, o Hugo Andrade apenas me comunicou que não contava comigo para o Top + e que não aceitava o tal programa meu que tinha na gaveta. Ou seja, não sei se estou fora ou se estou dentro.

Curiosamente, houve outros apresentadores com quem Hugo Andrade se reuniu para clarificar a situação laboral, alguns com menos anos de casa do que o Francisco. Há filhos e enteados na RTP?
Não. Acho que as reuniões que o Hugo teve com esses nomes foi para lhes dar uma boa notícia. Mas não foi capaz de dar as más notícias. Devia ter feito o mesmo com quem não vai ficar. Ele disse-me uma coisa na primeira reunião que tive com ele que achei fantástica: "Eu sou o portador de más notícias." Sei que ele está numa posição muito complicada, tenho uma relação de amizade com ele fora desta história toda e aceito perfeitamente que não faça parte dos planos dele.

Quando olha para trás, para estes quase dez anos de trabalho na estação pública, sente que o seu esforço foi recompensado? Arrepende-se de alguma coisa?
Não, não me arrependo de nada. Sabe porquê? Porque fiz sempre o meu trabalho com muita entrega, porque gosto muito de trabalhar em televisão e acho que, ao longo destes anos, tenho vindo a fazer um caminho interessante. Sei que é um espaço onde existem muitas pessoas a querer o mesmo, mas acho que fiz um bom trabalho. Acho que a palavra dignidade é a que assenta melhor em mim.

Mas acha que a RTP não tem espaço para si?
Incomoda-me às vezes a falta de capacidade de arriscar. Acho muito bem que haja apresentadores que são comediantes, mas chateia-me que o papel do apresentador esteja a ser esquecido em prol dos comediantes. Oitenta por cento das pessoas que fazem televisão agora são primeiro comediantes e depois é que são apresentadores. Eu não sou comediante, tanto que já tive hipótese de fazer coisas em comédia e não aceitei. E também não sou ator. Quero ser apresentador. Se me chamarem para uma novela até posso fazer um papel e participar, mas não quero ser ator. E não quero ser apresentador e comediante, assim prefiro sair.

"Estou contra a privatização"

Como vê a atual situação da RTP, com tantas mudanças e indefinições?
Acho que estamos todos a sofrer muito com isto, entristece-me muito ver que o meu país e o serviço público de televisão chegaram a este ponto, queremos privatizar a televisão, vão pessoas para a rua... Por outro lado, acredito que a direção de Programas da RTP e toda a equipa que ficou estão a dar o máximo e a vestir a camisola. Esta nova grelha tem programas muito interessantes, acho que o Hugo Andrade está a tentar tomar a rédea de um bicho muito complicado, é difícil. Quanto à história da privatização, estou completamente contra, tem de haver um canal público, do Estado.

Nunca teve contrato de exclusividade com a RTP, mas sempre foi visto como uma cara da estação. Agora, livre de compromissos e constrangimentos, o que se segue em termos televisivos?
Eu tinha um acordo de cavalheiros com a RTP em termos de exclusividade e neste momento estou disponível para trabalhar, para voltar ao mercado.

Mas vê-se a vestir outra camisola?
Vejo, vejo. Hoje em dia a realidade televisiva está muito diferente, há muitos canais, alguns no cabo que fazem trabalhos muito interessantes e que precisam de pessoas. Tenho praticamente dez anos de trabalho em televisão, muitas horas nas mãos e nos pés [risos] e sinto que estou preparado para qualquer desafio e que posso ser uma mais-valia ou para a RTP, ou para a SIC, ou para a TVI, ou para qualquer outro canal.

Já foi sondado por alguém das estações privadas, designadamente da SIC ou TVI?
Ainda não. Mas sei que 95% das pessoas pensam que ainda estou com a RTP. Isto também se deve à defesa constante que tenho feito da minha parceria com a RTP.
Diz que a televisão continua a ser a sua prioridade. Que programa gostaria de apresentar?
Gosto muito do formato que fiz do Verão Total, gosto de estar perto das pessoas. Também me agradaria um formato sobre música, sobre músicos. Sou músico também, filho de um músico [o cantor Carlos Mendes] e qualquer coisa que tivesse que ver com a divulgação de projetos musicais portugueses seria interessante. Por outro lado, tenho uma grande paixão pelo mar, pelo surf, e gostava de fazer qualquer coisa ligada a mostrar o nosso país em termos de potencial marítimo.

Por falar em potencial marítimo, a maioria PSD/CDS quer ver regressar à antena da RTP um formato tipo TV Rural, com uma forte vertente na dinamização do mar...
Acho bem, faz todo o sentido.

E vê-se a conduzir um formato desses?
Se há alguém que tem promovido o potencial do mar tenho sido eu. Tem tudo que ver comigo, por isso fazia todo o sentido ser eu a conduzir um formato desses.

Acredita que um dia vai ser um "apresentador de classe A", como já reclamou um dia numa entrevista à NTV?
Vou continuar a acreditar que é possível, que tenho capacidade para isso.

Mas não na RTP...
Porque não? Acho que a porta está aberta e, se voltarem a chamar-me, é uma questão de falarmos. A minha porta está completamente aberta, se, por exemplo, precisarem de mim para o Verão Total 2013, estou disposto.

É formado em Gestão de Empresas Turísticas e Hoteleiras. É a área onde quer apostar por agora, enquanto não regressa ao ecrã?
Sim. E acho que o meu erro foi não ter tido um plano B há mais tempo, ao longo da minha carreira televisiva. Não o fiz porque também estava um pouco acomodado, confesso. Estava bem, com o Top +, o Verão Total, tinha algumas perspetivas de que as coisas pudessem melhorar. Mas é nestas alturas que arregaçamos as mangas e vamos à luta.
"Tenho-me apoiado na minha espiritualidade"

No fim de semana passado já estreou o seu novo projeto gastronómico...
Chama-se Tasca do Ti Chico e o que pretende é trazer para as feiras e mercados de gastronomia uma tasca tipicamente lisboeta, que possa vender esta coisa tão portuguesa da saudade, dos vinhos, dos queijos. Estive este fim de semana na Praça da Figueira, em Lisboa, e vou estar um fim de semana de cada mês por aí em feiras a vender produtos nacionais confecionados por chefs de cozinhas que convidarei.

Como é que surgiu a ideia?
Foi na altura em que estava a fazer o Verão Total e andava em feiras por este país fora. Começo a ver alheiras de Mirandela, ginjinha de Óbidos, queijo da serra e digo: porque não uma tasca lisboeta. E assim surgiu esta história.

Negócios à parte, em quê ou em quem é que se tem apoiado para enfrentar esta fase mais complicada a nível profissional?
Na minha espiritualidade. Tem sido a minha grande muleta para tudo, ao longo destes anos tem-me ajudado a ultrapassar todos os problemas. E, obviamente, na minha família, que tem sido importantíssima na minha vida, em especial a minha mãe, a minha mulher e a minha filha, que têm sido três pilares fortíssimos.

Qual é a maior lição que tira destes últimos dez anos de exposição mediática?
Que tudo na vida é efémero e que a dimensão que as coisas tomam é a dimensão que nós lhes damos. O que é hoje já não é amanhã e temos que estar preparados para tudo isso.
Que conselho deixa para quem quer seguir uma carreira televisiva na apresentação?
Que é preciso acreditar sempre que é possível e depois tentar formarmo-nos, enriquecer o nosso conhecimento na área que queremos. E não desistir do que queremos ser, não sermos flexíveis só porque nos dizem para sermos.

Lida bem com o facto de ter vivido sempre numa incerteza profissional?
Tenho um lema: a verdadeira liberdade de espírito está na incerteza da vida. Sou uma pessoa livre precisamente por isso, gosto de viver assim. Tenho amigos que têm a sua vida numa folha de Excel, sabem que naquele dia vão comer um gelado ou que vão de férias. Eu não gosto disso.

Faz 40 anos em agosto deste ano. Sente-se com a idade que tem?
Não, não sinto nada. Trabalho muito a minha juventude interior e tenho uma criança dentro de mim. Não sinto nada os 40 anos a chegar.

Já fez o balanço do que ficou para trás?
Não, por acaso não. Mas, em jeito de balanço, acho que até agora fiz um caminho interessante. Estou no meio da idade, a vida tem-se revelado interessante, cresci muito sobretudo nos últimos cinco anos. A palavra que mais se adequa aos meus últimos anos é esta: maturidade. Tive obrigatoriamente de crescer e de me tornar mais maduro, mais adulto.

É hoje o Francisco Mendes que gostava de ser?
Sim. Ao longo da minha vida tenho aprendido com as coisas que fiz e estou muito bem com a minha consciência porque a trabalho todos os dias.

É visto por muita gente como "um tipo porreiro". No mundo em que vivemos, acha que isso tem jogado contra ou a seu favor?
O caminho que tenho feito tenho a certeza de que é mais difícil, porque nos dias que correm é muito mais fácil ter atitudes menos boas e agressivas do que manter o chamado caminho do bem. É mais difícil, mas é um desafio muito maior e muito mais compensador, porque no fim do dia tenho a minha consciência muito mais tranquila. Quando me deito na almofada fico feliz por ser a pessoa que sou e nunca vou sair deste registo, desde pequeno que sou assim, um gajo porreiro, e ajudo toda a gente. Se isso me prejudicou? Acho que sim, pode ter-me prejudicado muitas vezes, mas a minha consciência é que dita o que sou e o que posso ser.

Divórcio dos pais permitiu-lhe "sair da casca"
Que recordações guarda da sua meninice?
Tive uma infância muito feliz, os meus pais divorciaram-se quando eu tinha 9 anos e tive oportunidade de crescer em duas realidades completamente diferentes. As memórias que guardo são sobretudo de brincadeira, de grandes alegrias, muitos amigos, muito futebol. Fui um jovem como todos os outros, com todos os sonhos, os namoricos. As grandes recordações são do bairro onde cresci, em Camarate, o bairro de São Francisco, e perto das Olaias. Foram duas realidades diferentes, que me ensinaram muito e que me tornaram numa pessoa muito abrangente, hoje dou-me bem em qualquer meio e foi por causa disso. Tornou-me numa pessoa mais alegre, eclética e flexível.

Normalmente as crianças são quem mais sofre com uma separação. No seu caso, tentou tirar o maior partido dessa situação negativa, por assim dizer?
Exatamente. A grande aprendizagem foi essa. Tinha 9 anos na altura do divórcio, andava num colégio particular e nessa altura houve uma grande mudança na minha vida, que me permitiu sair desta "casca" que os meus pais tinham criado. Mas aproveitei também para mudar e crescer com isso.

Vem de uma família de personalidades ilustres da sociedade portuguesa: é neto de uma pianista [Enid Mendes] e de um conhecido pediatra [Abílio Mendes], filho de um músico [Carlos Mendes] e de uma antiga miss Portugal [Ana Maria Lucas]. Era inevitável para si seguir uma carreira mediática?
A dada altura senti a pressão de ter esse passado, era complicado, achei que não tinha capacidade para herdar isso. Tanto que a minha primeira escolha foi hotelaria, mais tarde é que arrisquei nesta vida de maior exposição. Mas foi só lá para os 27, 28 anos, quando percebi que estava pronto para arcar com as consequências de ser figura pública. Não era inevitável, mas acabou por ser e percebi que tinha arcaboiço para aguentar a pressão de ser figura pública.

Chegou a sentir que poderia não estar à altura desse legado familiar?
Sim, muitas vezes passou-me pela cabeça que podia defraudar as expetativas que a minha família tinha de mim. Se eu fizesse alguma coisa de errado, iria refletir-se nos meus pais - é o filho de que está a fazer isto ou aquilo - e por isso mesmo, ao longo da minha vida, pautei-me sempre por uma atitude de respeito e de contenção em termos sociais.

Lida bem com a fama?
Lido. Vejo isso quase como um dever, como quando me aparecem pessoas que perguntam pela minha mãe ou como é que eu estou. Tenho a sorte de ser uma pessoa que quando olham para mim se riem muito, sou um sortudo. É uma bênção. Lido muito bem com isso porque lembro-me desde sempre dos meus pais... Recordo-me de quando era miúdo que nas feiras os meus pais iam à frente e eu ia de propósito atrás só para ouvir as pessoas comentar: "Olha o Carlos Mendes", "olha a Ana Maria Lucas". Desde sempre que sei o que é isso de as pessoas comentarem e tenho sorte porque ao longo dos anos os meus pais tiveram sempre uma conduta ótima e as pessoas têm um carinho por eles, que depois se reflete no filho.

E como é que lida com as invejas no meio?
Quando nasci disseram que não tinha pés. E ao longo da vida já passaram por mim calúnias e coisas menos boas. Procuro não as alimentar, é difícil, mas o melhor é não o fazer porque estar a alimentar uma inveja é uma estupidez.
Se não fosse apresentador de televisão, o Francisco Mendes seria...
Seria dono de um restaurante, trabalharia num hotel ou faria qualquer coisa relacionada com a promoção do meu país, que eu amo tanto.

Outra das suas paixões é a música. Lembro-me de que chegou a ter algum êxito, designadamente com o tema Dá-me Luz. É um sonho que ficou para trás?
Não, de todo. Hoje vejo a música como um hobby, não quero seguir carreira de músico, mas gosto imenso de cantar e de estar em palco, de interpretar. Hoje tenho uma forma de estar na música mais descomprometida. Tenho atualmente um projeto, juntei-me com o meu querido José Fanha, poeta, e ao António Palma que é pianista e criámos um conceito que é o Memórias Partilhadas, onde no fundo partilhamos memórias, músicas, poemas, é uma tertúlia, procuramos ir às várias autarquias do país fazer espetáculos em pequenos auditórios, é hora meia hora em jeito de conversa.

Outra faceta sua que muitos desconhecem é a da solidariedade. É presidente da Associação Jorge Pina, ex-atleta que ficou amblíope. Ser solidário é um escape ou apenas uma forma desinteressada de ajudar os outros?
É fundamental trabalharmos diariamente a nossa solidariedade. Sou também embaixador da Casa do Surdo em Matosinhos, com muito orgulho.Temos feito um caminho muito bonito, é essencial tirarmos um pouco do nosso dia em prol dos outros e eu faço isso como uma missão.

Por falar em solidariedade, em outubro do ano passado salvou duas crianças alemãs na praia da Zambujeira do Mar, em Odemira. Atirou-se ao mar por puro instinto ou pensou duas vezes?
Completamente por instinto. Ainda hoje estou para perceber como é que eu e os outros dois rapazes, abnegados, nos entregámos completamente para salvar aquelas crianças, num mar que não estava propriamente fácil. A grande lição que tiro do salvamento é que na vida nada é certo, a incerteza quanto ao futuro... Estava ali a falar tranquilamente e, de repente, estou com uma criança nos braços a tentar salvar-lhe a vida. Pensei logo que aquela criança com 15 anos, na flor da idade, podia perder a vida, e fiz tudo ao meu alcance para a salvar, foi o meu primeiro objetivo.

Sente-se reconhecido pelo que fez? E teve notícias da família?
Sim, eu, o Emanuel Duarte e o Pedro Rebelo tivemos a sorte de ser homenageados na Embaixada alemã, num evento da associação de jovens empresários luso-alemães. A família das crianças está na Alemanha e enviámos umas pulseiras com os nossos nomes. Já me fiz amigo de uma delas, a Zora Lutz, no Facebook, há um mês e tal e soube que está com francas melhoras. Mas os alemães têm aquele hábito de ser um bocado frios... Estamos um bocado curiosos para saber mais novidades. Pensamos ir lá dar-lhe um beijinho no aniversário, que é brevemente.

AVC de Ana Maria Lucas mudou-lhe a vida

Mudando de assunto, uma das suas rotinas diárias é a meditação...
Foi uma descoberta na minha vida e já não consigo deixar de o fazer, faço diariamente uma a duas vezes, tem sido um grande utensílio e fonte de reequilíbrio, um refúgio.

Também se preocupa com o bem-estar físico?
Sim, faço surf, natação, desporto em geral, ténis, ginástica, procuro manter-me em forma. Também fiz uma regressão em termos de alimentação, não bebo álcool, deixei de comer carne vermelha... Tudo isso me deu outra perspetiva da vida e é fundamental no meu dia a dia.

O acidente vascular cerebral (AVC) que a sua mãe [Ana Maria Lucas] sofreu foi fundamental nesta mudança de hábitos?
Totalmente. Fez na semana passada quatro anos desde o AVC. A minha mãe fez-me reconhecer o valor da palavra vida e iniciou-me na espiritualidade.
É benfiquista ferrenho...
Graças a Deus [risos].

Chora quando o seu clube perde?
Não, mas choro quando o Benfica ganha, quanto tem vitórias grandes, quando é campeão. E choro mesmo com uma alegria... mas já lá vão uns anos [risos].

Tem outros vícios?
O surf, é uma grande paixão, faço-o sempre que posso. Depois, procuro fazer desporto em geral, ténis, ginástica, mantenho-me em forma. A minha segunda paixão é a hotelaria, a vontade de concretizar este projeto que estou agora a pôr em prática.

O que o faz sorrir?
O sorriso dos outros.

E o que o tira do sério?
A falta de frontalidade. As pessoas dizerem o que têm a dizer à frente das outras, independentemente de ser bom ou mau, é fundamental.

Tem na família o seu porto de abrigo e é pai de uma menina, Ana Mar, de 8 anos. Que tipo de pai é o Francisco Mendes?
Sou um pai brincalhão, que gosta de puxar pela criatividade dela. Não gosto de ser muito exigente nos estudos, se calhar isso às vezes é mau, mas gosto de trabalhar a liberdade de expressão dela. Mais do que ser pai quero ser um companheiro para a vida, quero que ela me veja como um ser humano como ela, que também pode falhar, perder às vezes a noção do que é certo e errado.

A sua filha ainda não lhe pede um irmãozinho?
Já, pede um mano todos os dias à minha mulher. E eu estou a tentar [risos], mas agora com esta crise também se tornou complicado... estou um bocado assustado, mas estou com esperança.

Onde é que se vê daqui a 40 anos?
Gostava de estar algures na costa alentejana a apanhar um solinho e umas ondas com os meus netos.


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5 Re: Top + em Sex Fev 08, 2013 10:39 pm

Pipoca5

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Nível 2
Acho o Francisco um péssimo apresentador. Ele e a Isabel eram uma dupla terrível. Eu gostava do formato mas só de vê-los apresentar era meio caminho andado para mudar de canal.

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